No meio do tédio de aguardar alguém na entrada de um aeroporto fui atraída pela cena de um casal de idosos que descia de um carro. Ambos de aparência frágil, cuidadosamente bem arrumados e com delicadeza nos gestos. O homem desceu do banco do motorista com ajuda de uma bengala. Abriu o porta-malas, retirou de lá uma cadeira de rodas e posicionou-a próxima ao banco traseiro. Abriu porta do carro e ajudou a descer de lá uma senhora, que também com ajuda de uma bengala saiu devagar e se sentou na cadeira de rodas. Juntos se afastaram. Ele apoiado na cadeira de rodas, onde empurrava sua companheira.
Todo esse processo foi feito devagar, com cuidado e certa dificuldade. Durante a ação eu ofereci ajuda, que educadamente foi recusada. Sendo eu aparentemente desnecessária, me limitei a acompanhar de longe e refletir sobre aquela cena. Não os conheço, não sei de suas histórias, se tem filhos, se tem netos, se tem dinheiro, se são felizes. No entanto, algo era possível ter certeza, existia amor e companheirismo ali. Existia um passado, que culminou na forma como estão vivendo o presente e como viverão o futuro, mesmo que curto, que ainda terão.
Minha sensibilidade para com aquele momento foi intensifica pelas lembranças da recente morte do meu avô materno. Durante os dois últimos anos de sua vida, sua saúde frágil devido à idade avançada acabou por deixá-lo em uma cama, sem condições de realizar qualquer atividade e sob a total dependência dos cuidados da minha mãe, que esteve ao lado dele até o fim. Os fatos recentes e o momento levaram meus pensamentos à reflexão sobre a vida e a morte. Sobre o nascer, crescer e morrer. Sobre o que fomos, o que somos e o que seremos.
Muitos encerram a passagem por essa vida de forma repentina ou acidental sem fazer essas reflexões, mas isso não é o que acontece com a maioria. Quase todos nós, imaginamo-nos velhos e morrendo de problemas de saúde comuns ao avançar da idade. Se formos bem honestos vamos assumir que nem pensamos muito nisso, afinal ninguém quer ficar refletindo sobre a velhice e a morte, principalmente aos vinte e poucos anos, como é o meu caso. Nessa idade, o que vale mesmo é o “Carpe Diem”. Viver o hoje. Viver o momento. Ser feliz agora.
A teoria Carpe Diem, foi descrita pela primeira vez em poema de Horácio, ao que se sabe entre os anos 65 e 8 A.C. Ao longo do tempo se perpetuou como a filosofia de vida daqueles que desejam viver intensamente cada momento. Uma filosofia que nunca esteve tão atual como em meio à juventude contemporânea que, motivada principalmente pelo estilo de vida imposto pela tecnologia, deseja tão profundamente viver tudo hoje e agora.
Os acontecimentos e a cena que observei no aeroporto me trouxeram a óbvia realidade de que nossa vida é feita de passado, presente e futuro. Viver intensamente todas as oportunidades que temos agora nos dará um grande presente e no futuro, a lembrança de termos vivido grandes experiências no passado. No entanto, ao mergulharmos na ideologia Carpe Diem não podemos ignorar que são as decisões do presente que definirão onde e como estaremos para nos lembrarmos desses momentos como passado, lá no futuro.
Buscar a compreensão dessa complexa equação filosófica pode nos ajudar a não viver o Carpe Diem ignorando um conceito imutável da vida, a existência de passado, presente e futuro na vida de todos nós. Passo a acreditar que para ter uma vida realmente plena precisamos aceitar que, se são esses três momentos que formam nossa existência, ignorar esse fato nos levará a uma vida de ilusão para fugir da responsabilidade que temos sobre o futuro que, mesmo incerto, inevitavelmente aguarda a todos nos.
Se você deseja ter alguém para empurrar sua cadeira de rodas quando você não puder mais andar, o que você tem feito por isso hoje? Se não há ninguém do seu lado hoje, o que você tem feito para encontrá-lo ou encontrá-la? Você está com alguém do seu lado hoje a quem você não imagina fazendo isso, o que tem feito para mudar a realidade? Se você disse a si mesmo que não pensa nisso e acha uma bobagem pensar agora, acredito que você está mergulhado na ilusão e não vivendo o Carpe Diem. O que é presente hoje, amanhã será passado e ao mesmo tempo futuro.
Acredito que viver intensamente o hoje é enxergar todas as situações diárias de forma otimista, agradecida e como oportunidade de ser feliz, mas cientes de que as decisões que tomamos sobre cada situação estão definindo quem seremos, com quem estaremos e como viveremos no futuro. A filosofia do Carpe Diem não pode ser usada como argumento para a inconsequência, pois sua ideia central é motivar as pessoas a extrair o melhor possível do presente e não a ignorar o futuro. Se não for assim, não é Carpe Diem, é ilusão.
Todo esse processo foi feito devagar, com cuidado e certa dificuldade. Durante a ação eu ofereci ajuda, que educadamente foi recusada. Sendo eu aparentemente desnecessária, me limitei a acompanhar de longe e refletir sobre aquela cena. Não os conheço, não sei de suas histórias, se tem filhos, se tem netos, se tem dinheiro, se são felizes. No entanto, algo era possível ter certeza, existia amor e companheirismo ali. Existia um passado, que culminou na forma como estão vivendo o presente e como viverão o futuro, mesmo que curto, que ainda terão.
Minha sensibilidade para com aquele momento foi intensifica pelas lembranças da recente morte do meu avô materno. Durante os dois últimos anos de sua vida, sua saúde frágil devido à idade avançada acabou por deixá-lo em uma cama, sem condições de realizar qualquer atividade e sob a total dependência dos cuidados da minha mãe, que esteve ao lado dele até o fim. Os fatos recentes e o momento levaram meus pensamentos à reflexão sobre a vida e a morte. Sobre o nascer, crescer e morrer. Sobre o que fomos, o que somos e o que seremos.
Muitos encerram a passagem por essa vida de forma repentina ou acidental sem fazer essas reflexões, mas isso não é o que acontece com a maioria. Quase todos nós, imaginamo-nos velhos e morrendo de problemas de saúde comuns ao avançar da idade. Se formos bem honestos vamos assumir que nem pensamos muito nisso, afinal ninguém quer ficar refletindo sobre a velhice e a morte, principalmente aos vinte e poucos anos, como é o meu caso. Nessa idade, o que vale mesmo é o “Carpe Diem”. Viver o hoje. Viver o momento. Ser feliz agora.
A teoria Carpe Diem, foi descrita pela primeira vez em poema de Horácio, ao que se sabe entre os anos 65 e 8 A.C. Ao longo do tempo se perpetuou como a filosofia de vida daqueles que desejam viver intensamente cada momento. Uma filosofia que nunca esteve tão atual como em meio à juventude contemporânea que, motivada principalmente pelo estilo de vida imposto pela tecnologia, deseja tão profundamente viver tudo hoje e agora.
Os acontecimentos e a cena que observei no aeroporto me trouxeram a óbvia realidade de que nossa vida é feita de passado, presente e futuro. Viver intensamente todas as oportunidades que temos agora nos dará um grande presente e no futuro, a lembrança de termos vivido grandes experiências no passado. No entanto, ao mergulharmos na ideologia Carpe Diem não podemos ignorar que são as decisões do presente que definirão onde e como estaremos para nos lembrarmos desses momentos como passado, lá no futuro.
Buscar a compreensão dessa complexa equação filosófica pode nos ajudar a não viver o Carpe Diem ignorando um conceito imutável da vida, a existência de passado, presente e futuro na vida de todos nós. Passo a acreditar que para ter uma vida realmente plena precisamos aceitar que, se são esses três momentos que formam nossa existência, ignorar esse fato nos levará a uma vida de ilusão para fugir da responsabilidade que temos sobre o futuro que, mesmo incerto, inevitavelmente aguarda a todos nos.
Se você deseja ter alguém para empurrar sua cadeira de rodas quando você não puder mais andar, o que você tem feito por isso hoje? Se não há ninguém do seu lado hoje, o que você tem feito para encontrá-lo ou encontrá-la? Você está com alguém do seu lado hoje a quem você não imagina fazendo isso, o que tem feito para mudar a realidade? Se você disse a si mesmo que não pensa nisso e acha uma bobagem pensar agora, acredito que você está mergulhado na ilusão e não vivendo o Carpe Diem. O que é presente hoje, amanhã será passado e ao mesmo tempo futuro.
Acredito que viver intensamente o hoje é enxergar todas as situações diárias de forma otimista, agradecida e como oportunidade de ser feliz, mas cientes de que as decisões que tomamos sobre cada situação estão definindo quem seremos, com quem estaremos e como viveremos no futuro. A filosofia do Carpe Diem não pode ser usada como argumento para a inconsequência, pois sua ideia central é motivar as pessoas a extrair o melhor possível do presente e não a ignorar o futuro. Se não for assim, não é Carpe Diem, é ilusão.

0 comentários:
Postar um comentário