sábado, 24 de janeiro de 2015

PESSOAS QUE FAZEM A DIFERENÇA


Inspirada pelo filme Sociedade dos Poetas Mortos, que só vi pela primeira vez no último domingo, quando matava o tempo procurando algo interessante de canal em canal. Dormi pensando na influência que exercem algumas pessoas que passam pelas nossas vidas e o poder que temos, diariamente, de exercer influência na vida das pessoas.

Quando eu estava na 5ª ou 6ª série, uma professora da história e bailarina, a Catarina Lima Lopes, organizou um evento para a escola e resolveu me ensaiar para uma apresentação de dança. Ela disse na época que eu tinha postura de bailarina e motivada por ela procurei um curso de ballet. Dancei ballet clássico por 8 anos e foi nesse período que me apaixonei pela arte. Fiz curso de teatro, aulas de canto, me despertei para a beleza das expressões artísticas em todas as suas formas e hoje não consigo viver se não for cerca de arte.

No segundo grau, tive uma professora de geografia, a Rejane Lima Lopes, apaixonada pelo que ensinava. Ela fazia das aulas de geografia um grande momento de debate e compreensão sobre as questões sociais. Suas aulas fortaleceram em mim a ideia, que eu já tinha, de fazer uma faculdade na área social. Acabei me decidindo por jornalismo, profissão pela qual sou completamente apaixonada. Sempre soube que ela teve grande influência nessa decisão e na minha forma de pensar a sociedade.

Já na faculdade, tive aulas com a Relações Públicas, Valdirene Cássia, e acho impossível passar por ela e sair sendo a mesma pessoa. Hoje quando visito qualquer cliente com segurança de que posso fazer e executar um bom plano de comunicação eu tenho vontade de escrever “dedicado a Valdirene Cássia” no final do trabalho. Sempre que critico um release com o termo “maiores informações”, a imagem de repúdio da Cássia a essa errônea expressão vêm a minha cabeça. Um exemplo da riqueza de zelo com que ela nos ensinou a trabalhar.

Hoje, Catarina é assessora jurídica na Defensoria Pública do Estado e trabalha no Núcleo Especializado de Promoção e Defesa dos Direitos da Mulher. Rejane continua ensinando jovens a pensar, nas salas de aulas do Instituto Federal de Ciência e Tecnologia do Tocantins e também do Colégio Olímpo, em Palmas. Cássia, ainda é a estrela do Centro Universitário Luterano de Palmas e continua fazendo da sala de aula uma verdadeira experiência do mercado.

Todas são apenas profissionais, ganhando seus sustentos e vivendo a vida. O que as tornou diferente, foi o amor pelo que fazem e a consciência de que temos o poder de influenciar positivamente ou negativamente as pessoas ao nosso redor. Não são mártires, são apenas pessoas comuns como eu e você, mas que hoje podem ter o prazer de dizer que tiveram participação nas conquistas de muita gente por ai.

Inspirada por pessoas assim, começo essa semana pensando no poder que temos em nossas mãos diariamente. Nossa família, nossos colegas de trabalho e até mesmo pessoas que conhecemos rapidamente. Todas elas estão nos observados, avaliando nossas atitudes e buscando algo em que se espelhar. Essa não é uma reflexão sobre agradar aos outros, longe, muito longe disso. É uma conclusão de que nosso pensar, nosso falar, nosso agir está sempre marcando de alguma forma a vida de alguém. 

Qual marca quero deixar nas pessoas que estão hoje na minha vida? Como quero ser lembrada por elas no futuro? Seja lá o que você desejar é uma coisa que você deve começar hoje mesmo. 
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CARPE DIEM OU ILUSÃO?


No meio do tédio de aguardar alguém na entrada de um aeroporto fui atraída pela cena de um casal de idosos que descia de um carro. Ambos de aparência frágil, cuidadosamente bem arrumados e com delicadeza nos gestos. O homem desceu do banco do motorista com ajuda de uma bengala. Abriu o porta-malas, retirou de lá uma cadeira de rodas e posicionou-a próxima ao banco traseiro. Abriu porta do carro e ajudou a descer de lá uma senhora, que também com ajuda de uma bengala saiu devagar e se sentou na cadeira de rodas. Juntos se afastaram. Ele apoiado na cadeira de rodas, onde empurrava sua companheira.

Todo esse processo foi feito devagar, com cuidado e certa dificuldade. Durante a ação eu ofereci ajuda, que educadamente foi recusada. Sendo eu aparentemente desnecessária, me limitei a acompanhar de longe e refletir sobre aquela cena. Não os conheço, não sei de suas histórias, se tem filhos, se tem netos, se tem dinheiro, se são felizes. No entanto, algo era possível ter certeza, existia amor e companheirismo ali. Existia um passado, que culminou na forma como estão vivendo o presente e como viverão o futuro, mesmo que curto, que ainda terão. 

Minha sensibilidade para com aquele momento foi intensifica pelas lembranças da recente morte do meu avô materno. Durante os dois últimos anos de sua vida, sua saúde frágil devido à idade avançada acabou por deixá-lo em uma cama, sem condições de realizar qualquer atividade e sob a total dependência dos cuidados da minha mãe, que esteve ao lado dele até o fim. Os fatos recentes e o momento levaram meus pensamentos à reflexão sobre a vida e a morte. Sobre o nascer, crescer e morrer.  Sobre o que fomos, o que somos e o que seremos.

Muitos encerram a passagem por essa vida de forma repentina ou acidental sem fazer essas reflexões, mas isso não é o que acontece com a maioria. Quase todos nós, imaginamo-nos velhos e morrendo de problemas de saúde comuns ao avançar da idade. Se formos bem honestos vamos assumir que nem pensamos muito nisso, afinal ninguém quer ficar refletindo sobre a velhice e a morte, principalmente aos vinte e poucos anos, como é o meu caso. Nessa idade, o que vale mesmo é o “Carpe Diem”. Viver o hoje. Viver o momento. Ser feliz agora.

A teoria Carpe Diem, foi descrita pela primeira vez em poema de Horácio, ao que se sabe entre os anos 65 e 8 A.C. Ao longo do tempo se perpetuou como a filosofia de vida daqueles que desejam viver intensamente cada momento. Uma filosofia que nunca esteve tão atual como em meio à juventude contemporânea que, motivada principalmente pelo estilo de vida imposto pela tecnologia, deseja tão profundamente viver tudo hoje e agora.

Os acontecimentos e a cena que observei no aeroporto me trouxeram a óbvia realidade de que nossa vida é feita de passado, presente e futuro. Viver intensamente todas as oportunidades que temos agora nos dará um grande presente e no futuro, a lembrança de termos vivido grandes experiências no passado.  No entanto, ao mergulharmos na ideologia Carpe Diem não podemos ignorar que são as decisões do presente que definirão onde e como estaremos para nos lembrarmos desses momentos como passado, lá no futuro. 

Buscar a compreensão dessa complexa equação filosófica pode nos ajudar a não viver o Carpe Diem ignorando um conceito imutável da vida, a existência de passado, presente e futuro na vida de todos nós. Passo a acreditar que para ter uma vida realmente plena precisamos aceitar que, se são esses três momentos que formam nossa existência, ignorar esse fato nos levará a uma vida de ilusão para fugir da responsabilidade que temos sobre o futuro que, mesmo incerto, inevitavelmente aguarda a todos nos. 

Se você deseja ter alguém para empurrar sua cadeira de rodas quando você não puder mais andar, o que você tem feito por isso hoje? Se não há ninguém do seu lado hoje, o que você tem feito para encontrá-lo ou encontrá-la? Você está com alguém do seu lado hoje a quem você não imagina fazendo isso, o que tem feito para mudar a realidade? Se você disse a si mesmo que não pensa nisso e acha uma bobagem pensar agora, acredito que você está mergulhado na ilusão e não vivendo o Carpe Diem. O que é presente hoje, amanhã será passado e ao mesmo tempo futuro.

Acredito que viver intensamente o hoje é enxergar todas as situações diárias de forma otimista, agradecida e como oportunidade de ser feliz, mas cientes de que as decisões que tomamos sobre cada situação estão definindo quem seremos, com quem estaremos e como viveremos no futuro. A filosofia do Carpe Diem não pode ser usada como argumento para a inconsequência, pois sua ideia central é motivar as pessoas a extrair o melhor possível do presente e não a ignorar o futuro. Se não for assim, não é Carpe Diem, é ilusão. 
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sexta-feira, 23 de janeiro de 2015

FEMINISMO PARA QUE?



Até bem pouco tempo quando via ou ouvia alguma coisa a respeito de feminismo minha tendência era pensar “feminismo para que?”. Levanto dos os dias de manhã, visto a roupa que eu quero, saio no carro que eu comprei, chefio uma equipe no trabalho e divido as contas com meu marido todo mês. Não está meio velha essa coisa de feminismo? No meu mundo está tudo certo em relação a isso. Tenho os mesmos direitos que qualquer homem e não sinto esse lance de preconceito. 

Influenciada pelas publicações em redes sociais de uma ex-colega de faculdade com quem sempre tive ótimas conversas, a jornalista Fernanda Alves, comecei a ler alguns textos sobre o tema. De leitura em leitura hoje consigo ver várias respostas quando alguém me pergunta: feminismo pra que? Na compreensão que adquiri até o momento, vejo a opressão de mulheres acontecendo diariamente em três grandes áreas: no comportamento opressor do sexo oposto, na imposição de padrões físicos e na imposição de padrões comportamentais. 

Uma pesquisa divulgada pelo Instituto Avante Brasil aponta que em dez anos, entre 1996 e 2012 houve um aumento de 22,% do número de morte de mulheres por meios violentos no Brasil, sendo que 68,8% dos homicídios são praticados por parceiros de relacionamentos. Ainda há os casos de estupro, agressão verbal e psicológica, que não matam, mas oprimem. Homens de comportamento aparentemente normal, mas que praticam a violência contra a mulher porque o sentimento de superioridade e posse sobre o sexo oposto ainda está presente em muitos homens da nossa sociedade. 

A imposição de padrões físicos também está ai para oprimir. São quase 4 milhões de mulheres no Brasil, de acordo com o Censo 2010. O país é um dos mais miscigenados do mundo com herança genética de índios, europeus e asiáticos. Mesmo sendo tantas e de origens tão diferentes só existe uma forma de ser bonita – magra, com peitos e bunda grandes. Quem está nesse padrão ou perto dele praticamente não nota as demais mulheres que estão sofrendo discriminações diariamente. 

Entre as lojas de roupas, os tamanhos grandes só são encontrados nas especializadas ou em um cantinho escondido. Nas propagandas as mulheres fora do padrão aparecem quase que por um sistema de cotas, entre 100 parecidas, tem uma diferente para empresa poder dizer: fazemos nossa parte. Na vida social, as diferentes tem que ter o dobro ou triplo da dedicação para serem aceitas, notadas e admiradas. Há as que não conseguem e seguem suas vidas oprimidas e invisíveis enquanto o mundo segue fazendo apologia a um padrão de beleza quase inatingível. Ainda há a falsa liberdade de comportamento. 

Uma mulher solteira que decide ter a carreira como prioridade é uma “solteirona mal amada”. Uma mulher casada que decide não ter filhos é uma “fria e insensível”. Uma mulher que trabalha fora enquanto o marido cuida da casa e dos filhos é uma “coitada que não conseguiu homem melhor”. Se você é mulher é não escolheu o caminho de fazer faculdade, trabalhar, casar, ter filhos e uma casa para chamar de sua, tenha certeza que você será estereotipada, criticada e excluída de algumas relações sociais. 

Houve o momento de lutar pelo voto, houve o momento de lutar pelo trabalho, houve o momento de lutar pela liberdade sexual e muitas conquistas foram alcançadas, mas opressão masculina, imposição de padrões físicos e de padrões de comportamento são questões culturais ainda muito fortes. Não é algo distante da nossa realidade. Pelo menos um desses problemas está na minha vida, na sua ou na de alguma mulher perto de você. É sobre isso que o movimento feminista contemporâneo quer tratar. 

Quantas vezes eu já ouvi de mulheres “Quero matar aquelas vadias que queimaram soutiem e hoje sou obrigada a trabalhar”. Por muito tempo eu ri desse tipo de comentário, hoje eu não consigo rir mais. Assim como não consigo rir da piada de loira, da piada da gorda, da piada da mulher que não sabe dirigir. Não vejo graça em nenhuma atitude que reforça uma cultura onde a figura da mulher é desmerecida, pois não é engraçado, é sério. 

Quando você ouvir a noticia da “Marcha das Vadias” que vai acontecer na sua cidade, antes de disparar algo como “bando de mulher arruaceiras” lembre-se que se hoje você tem o mínimo de liberdade para fazer escolhas, esse direito foi conquistado por mulheres que se arriscaram, chocaram e motivaram grandes mudanças na sociedade. Se você não quer militar pela causa é seu direito, mas não ignore ou critique quem decidiu lutar pela mudança de uma realidade que ainda oprime, exclui e mata mulheres. Feminismo para que? Porque a luta nunca acabou.
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